Pasta do Caso
VARGINHA-006
Confissão à beira da morte de oficial militar — transcrição completa
Ele esperou a morfina fazer efeito. Pediu o padre primeiro. Depois pediu o gravador.
- Tipo
- TRANSCRIPT
- Data do Registro
- 2019-11-04
- Fonte
- Gravação de hospice divulgada pela família
Resumo
Gravação de duas horas de um sargento reformado em cuidados paliativos, ditada a um padre presente e a um familiar adulto. O declarante descreve sua participação em uma operação de transferência em janeiro de 1996 envolvendo dois espécimes não-humanos vivos e um morto. A gravação foi retida da imprensa por quatro anos a pedido da família.
Inventário de Itens
- Testemunha
- Sargento reformado, Exército Brasileiro
- Data de gravação
- 2019-11-04
- Duração
- 2 horas 03 minutos
- Liberado por
- Familiar adulto, 2023
Contexto
A gravação foi feita em um quarto de hospice no sudeste do Brasil. A testemunha estava a três dias da morte e sabia disso. O quarto continha a testemunha, um padre que havia solicitado especificamente, e um familiar adulto operando um pequeno gravador doméstico. Nenhum outro pessoal estava presente.
O que ele diz ter feito
Ele descreve ter participado, como integrante de uma equipe de transferência composta por sete praças e dois oficiais, da movimentação de três sujeitos de um local de custódia para um reboque refrigerado que aguardava nas primeiras horas do dia 22 de janeiro de 1996. Cuida em especificar que dois dos sujeitos estavam vivos no momento da transferência e um não estava.
Descreve os sujeitos vivos como contidos, sedados e respirando. Descreve o sujeito falecido como já acondicionado em um recipiente lacrado entregue separadamente. Diz que foi instruído a não olhar para nenhum dos três por mais tempo do que o necessário para cumprir sua parte na movimentação, e que obedeceu essa instrução salvo por um momento, que ele descreve.
O que ele pede
Por duas vezes durante a gravação, a testemunha pergunta ao padre se o ato de gravar conta como confissão. O padre responde a cada vez que a testemunha não deveria se preocupar com essa distinção nesse estágio.
Perto do fim, a testemunha pede ao familiar que não libere a gravação por pelo menos quatro anos, para que nenhuma pessoa que estava presente naquela noite seja obrigada a responder perguntas enquanto ele ainda estiver vivo para corroborar. O familiar honrou esse pedido.